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22 de fevereiro de 2017

Velislava, a Raposa de Fogo (Parte 03).

Raposa bebendo água em um lago

Julia, Klara, o cão pastor e a raposa de fogo contornaram a trilha de terra e desceram a montanha pelo mesmo caminho na qual o muflão havia percorrido para chegar ao acampamento. Pouco caminharam e Klara logo parou.

“O que foi?” - Julia perguntou.

“A gente esqueceu o Pedro no acampamento.” - respondeu, a pequena, ao se lembrar do muflão.

Diante da resposta, Julia olhou rapidamente para Velislava, que retribuiu o olhar com certa indiferença à preocupação que Klara externava.

Era como se Pedro não pudesse ir com elas.

“Ele não vem com a gente.” - lamentou, Julia.

“Por que?” - Klara quis saber.

“Porque ele foi adotado pelos anjos.” - Julia mentiu.

Todos, então, voltaram a caminhar.

Klara não conseguiu disfarçar sua ansiedade em chegar na casa onde a amiga morava. Assim que chegasse, ía dormir e acordar o mais cedo que pudesse para brincar com ela até se cansar.

“Falta muito para a gente chegar?” - perguntou, Klara, com sono.

“Um pouco.” - Julia respondeu.

Conforme caminhavam montanha abaixo, a claridade do Sol diminuía, anoitecendo a paisagem e fazendo com que apenas as chamas da raposa iluminassem o caminho. E tal escuridão só fazia intensificar o sono que ambas sentiam.

Mais à frente, Klara avistou um amontoado de almofadas jogadas num canto da mata e que pareciam ser muito fofas.

“Elas estavam aqui antes?” - perguntou, Klara, à amiga, referindo-se às almofadas.

Julia respondeu que não.

Eufórico, Boris saltou encima delas e se deitou, confortavelmente, num canto do amontoado.

“Além de malvado, ele é muito intrometido.” - Julia resmungou, ao ver o cão pastor deitar sobre as almofadas.

O mesmo fez Julia e Klara. Cercadas pela escuridão da mata e com sono, as duas amigas pularam nas almofadas, bem perto de Boris, deitaram-se e adormeceram, iluminadas somente pelas chamas da imponente raposa búlgara que as protegia.


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20 de fevereiro de 2017

Velislava, a Raposa de Fogo (Parte 02).

Trilha de terra paradisíaca e bucólica com uma árvore solitária no caminho

“Não precisa ter medo.” - a menina ruiva tentou pôr fim ao pavor de Klara, assegurando. - “Ela não vai te fazer mal.”

Boris, que havia se afastado de sua dona para se ir atrás de Velislava, enfim, reapareceu, saindo da mata no mesmo lugar onde a raposa havia saltado, e se aproximou de Julia.

“Onde o senhor estava, seu malvado?” - perguntou para o cão, repreendendo-o. - “Fique sabendo que me deixou muito preocupada. Nunca mais saia de perto de mim!”

O cão pastor protestou, latindo baixo, e, sem externar quaisquer medos ou receio, se aproximou da majestosa raposa.

Por mais que se esforçasse, Klara não conseguia enxergar uma figura materna em Velislava. - “Ela é uma raposa e Julia é uma menina.” - pensou, intrigada, enquanto a observava. - “Como pode ser mãe dela?” - perguntou-se. Foi, então, que se convenceu de que Julia estava sendo sincera quando dizia que a fera era sua mamãe no momento em que, para seu total horror, ela se colocou diante da raposa e, sem que a pequena a ouvisse, pediu:

“Não machuque ela, mamãe.” - logo em seguida, a menina ruiva acariciou o focinho de Velislava, uma das poucas partes do seu corpo avermelhado que não expelia fogo, e sussurrou. - “Ela é a única amiga que eu tenho.”

Carinhosa, a raposa de fogo respondeu, lambendo o rosto da menina. O gesto causou enorme surpresa em Klara, que, imediatamente, arregalou os olhos ao ver tamanha docilidade.

“Pensando bem, ela não parece ser malvada.” - disse, a pequena búlgara, que, enfim, teve a certeza que Velislava não era uma ameaça. Ela encheu-se de coragem e se aproximou, perguntando para Julia. - “O fogo não machuca ela?”

“Não.” - Julia respondeu. Convicta, garantiu. - “O fogo só machuca quem tenta fazer mau para ela.”

Embora mais calma, a menina de Gabrovo não conseguia desviar seu olhar de medo da raposa.

“Quer fazer carinho nela?” - perguntou, Julia.

“Eu acho que ela não vai deixar.”

“Ela vai deixar, sim.” - Julia insistiu, dizendo. - “Minha mamãe já sabe que você é minha amiga e que não vai me fazer mau.”

Klara, então, rompeu o medo e acariciou o focinho de Velislava, que respondeu, igualmente carinhosa, lambendo o rosto da menina.

“Sua mamãe é muito bonita!” - exclamou.

O que tinha por medo, rapidamente, se esvaiu. Klara, vendo-a de perto, se mostrou ainda mais impressionada com a pelagem de Velislava, que, em momento algum, parava de expelir fogo. A essa altura, os incontáveis balões coloridos que elas haviam visto no acampamento, aos poucos, iam desaparecendo, revelando um céu cor de abóbora e luminoso. Já era fim de tarde.

O tempo, mais rápido do que o habitual, parecia ter ritmo próprio e passou rápido.

“Está escurecendo.” - disse, Julia, à amiga, vendo o Sol se esconder nas montanhas. - “A gente vai para a minha casa e procura a sua vovó amanhã, o que acha?” - perguntou.

“Está bem.” - Klara aceitou.


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16 de fevereiro de 2017

Velislava, a Raposa de Fogo (Parte 01).

Raposa bebendo água em espelho d'água

De mãos dadas, as duas amigas foram se afastando do acampamento na medida em que o procuravam por uma trilha de terra.

“Aonde será que ele foi?” - perguntou-se, Julia, em voz alta.

Ao mesmo tempo que, atentamente, observava em volta, Julia também olhava para Klara, que se mostrava igualmente preocupada. Boris desaparecera de repente, silenciosamente, e com todo o mistério.

“Tem alguma coisa se mexendo ali.” - indicou, Klara, um ponto específico na mata.

Julia voltou as atenções na direção que a amiga apontou e logo foi surpreendida. O verde da mata se acendeu e uma raposa em chamas, majestosamente, saltou na frente delas como uma fera de fogo.

“É a minha mamãe, Velislava!” - exclamou, aliviada, ao ver que se tratava da raposa.

Porém, Klara não sentiu a mesma tranquilidade. Apavorada, ela correu para trás da amiga e suplicou à fera:

“Por favor, vai embora!”

“Ela é a minha mamãe.” - disse, Julia, tentando tranquilizá-la. - “Não vai te fazer mal.”

“Sua mamãe?”

“Sim.” - Julia garantiu. Ela deu as costas à raposa e, colocando-se de frente para a amiga, perguntou. - “Não se lembra de quando eu disse que a minha mamãe se chamava Velislava?”

“Sim, mas você não disse que a sua mamãe era uma raposa.” - respondeu, Klara. Mesmo com tamanha tranquilidade, o pavor de Klara só se fazia aumentar. Velislava, por sua vez, pareceu antever o medo que provocaria na pequena búlgara, pois, após saltar da mata, ficou parada na frente de Julia.

“E o que há de mau em ser uma raposa?” - Julia perguntou, ligeiramente ofendida com a resposta de Klara. - “É a primeira vez que você vê uma raposa de fogo?”

Klara balançou a cabeça, respondendo que sim. Nunca tinha visto uma raposa comum, quiçá uma igual a Velislava, que expelia fogo dos pelos.


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