Mostrando postagens com marcador Cego Surdo e Mudo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cego Surdo e Mudo. Mostrar todas as postagens

30 de julho de 2018

POESIA: Cego, Surdo, e Mudo.

poesias sobre a cegueira, poesias sobre a incompreensão do mundo

(Uma pequena homenagem a João Cabral de Melo Neto)

Cego, surdo e mudo:
ainda assim compreendo tudo.
Ligeiramente estúpido, contra todos,
perdoadamente errado, um antitudo;
e assim assimilando raízes parcas,
tateando intelectos cacundos.
E nos mesmos olhos de hoje, parcos,
raso pelo que tenho nas profundezas, sou a praia,
afundado em razões sem assunto, sinto-me profundo.

Cego, surdo e mudo:
insistindo com as insistências,
preterido de minhas próprias preferências;
o que tudo vê e o que nada enxerga.

Cego, surdo e mudo:
ora um Severino de João Cabral,
o daquele mesmo poeta;
ora um de Melo Neto,
um nordestino, o centrista,
o mocinho e o marginal,
o que briga e não faz por onde,
um assujeitado, um vagamundo.