Poucos dias atrás, publiquei um conto neste blog, intitulado Cartas de um pai ao filho, cartas do filho ao pai, cuja história aborda o drama de um pai e um filho sírios ao fugirem da gerra em seu país e irem para a Europa. Diferente dos outros contos que venho postando por aqui, este é narrado por cartas que os dois personagens pretendiam entregar um ao outro quando se reencontrassem. Pois bem, gostei tanto do resultado do conto que venho compartilhar com todos os leitores as minhas impressões a respeito do que acontece na Síria.
Faltam palavras ao mesmo tempo que multiplicam-se e se tornam cada vez mais complexos os sentimentos ao acompanhar tamanho drama. Como se fossem uma sucessão de notícias repetidas, vejo nos telejornais bombardeios, embarcações com refugiados sendo resgatados pela marinha italiana, outros sem esta sorte afundam matando dezenas ou centenas deles. Em uma destas embarcações estava o menino sírio Alan Kurdi, pode ler uma ótima reportagem a respeito de sua história feita pela BBC Brasil clicando AQUI. Alan Kurdi tornou-se um dos símbolos deste flagelo humano ao ter seu corpinho exposto em uma praia turca com uma camisetinha vermelha e o rostinho de cara na areia, algo que me chocou tanto que chorei no mesmo instante que tomei conhecimento da tal foto no programa Estúdio I, da Globo News.
Antes da guerra, minhas únicas referências sobre a Síria eram o famoso pão homônimo e a nacionalidade de muitos empresários que fizeram fortunas em países ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Com a guerra, os crimes, o descaso o Estado Islâmico e a barbárie é que se tornaram então minhas únicas referências, as duas últimas, uma redundância, quase a mesma coisa.
Bashar al-Assad é um déspota que tem, em outros líderes ao redor do mundo, cúmplices, afinal, para toda uma tirania que persiste, há sempre uma consequência ainda pior, interesses transnacionais envolvidos. Há de se enfrentar o mau a qualquer custo.
O drama na Síria, ao que parece não terá fim tão próximo, mas terá um fim e, de alguma forma, ele representa como um teatro de horror a própria jornada da civilização humana, caótica, entremeada por guerras e cheia de simbolismos: um presente tão diferente e tão igual aos primórdios.
