Parecia um lobo faminto encarando a presa. O modo cínico como o viajante a observava causou repulsa em Liza.
“Somos novos por aqui e estamos perdidos.” - explicou, o viajante, que não perdeu tempo e foi logo perguntando. - “Pode nos dar uma informação?”
Em resposta, Liza não disse nada. Apenas acenou que sim.
“Essa cidade é, realmente, muito bonita.” - disse, o viajante, com sarcasmo. - “Onde a gente está?” - perguntou para Liza, ao mesmo tempo que sorriu para o companheiro, divertindo-se com o medo que ela se esforçava para não transparecer.
“Em Gabrovo.” - respondeu, Liza, quase sem voz.
“Desculpe, mas a gente não ouviu.”
Ele foi se aproximando dela, seguido, de perto, pelo outro viajante.
“Gabrovo!” - Liza respondeu, só que dessa vez em voz alta.
Ao vê-los se aproximarem vagarosamente, Liza pensou em correr para dentro da casa e trancar-se no quarto junto com a filha para, assim, protegê-la a todo custo. - “Eles são mais rápidos do que eu.” - pensou e se perguntou, convencendo-se de que tivera uma péssima ideia. - “Que chances eu poderia ter? Vão me alcançar antes mesmo de eu atravessar a porta. Não se desespere, Liza.” - obrigou-se a ficar tranquila. - “Não seja tão estúpida de levar o perigo para dentro de casa.”
Foi, então, que os viajantes sorriram, revelando o que queriam de verdade.
O homem, que a havia cumprimentado, dizendo serem novos na cidade, se revelou o mais cruel. Enquanto o companheiro, pelas costas, a segurava e beijava-lhe os cabelos, ele derrubou Liza no chão, depois de um forte soco no estômago, e deitou encima dela.
“Por favor, vão embora!” - gritou, a jovem mãe, que implorava para que fossem logo embora e, assim, não entrassem na casa. - “Por favor, me deixem em paz!”
Qualquer violência que eles empunhassem contra ela seria o menor dos males desde que Klara estivesse protegida.
“Cale-se, sua vadia barata!” - respondeu, o viajante, pressionando-a, com o próprio corpo, contra o chão.
Como que por uma intervenção divina, após saciarem suas respectivas perversidades, as súplicas de Liza foram atendidas no momento em que ouviu-se uma conversa distante, e que parecia se aproximar, de um grupo de amigos que caçavam na mata. Os dois viajantes se levantaram do chão, correram para o carro e, temendo serem flagrados, se apressaram em fugir. Mesmo dolorida, fraca e severamente humilhada, Liza encontrou forças e se colocou em pé. Andou, cambaleando, até a casa e foi direto para o quarto da filha, onde toda a esperança do mundo pareceu se esvair no momento em que se aproximou da cama. Ao colocar as mãos sobre a filha, sentiu que o rostinho da menina estava frio.
Klara já não respirava mais. Estava morta.
CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

