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27 de janeiro de 2017

O RESGATE DE LAZAR: Terceira Parte do Capítulo.

balão acidentado após queda

Desde que saíra do tomateiro, onde se empanturrou de tanto comer tomates, Klara não sentia mais fome, porém, boas horas se passaram e sua barriga começava a roncar.

Julia percebeu isso e se antecipou em dizer:

“Eu estou com fome, e você?”

“Eu também estou com fome.” - a pequena respondeu.

“Ótimo, a gente pode ir para a minha casa. - comemorou, Julia, sorridente. - “A minha mamãe vai adorar te conhecer!”

“Qual é o nome da sua mamãe?”

“Velislava.” - Julia respondeu, perguntando também. - “E a sua mamãe, como chama?”

“Liza.” - disse, Klara.

Ao pronunciar o nome de sua mãe, a pequena encarou a amiga com tristeza.

“Não fica triste, Klara.” - Julia a confortou, prometendo logo em seguida. - “A gente vai encontrar a sua mamãe.”

“Promete?” - perguntou, Klara.

Sua avó, Yordanka, havia prometido o mesmo, no entanto, misteriosamente, desapareceu e não cumpriu a promessa.

“Prometo.” - respondeu, Julia, à amiga, assegurando. - “A gente vai encontrá-la.”

O momento de partir, enfim, se fez presente. Enquanto Doriana reacendia a chama do maçarico, administrando o ar quente dentro do seu balão, Lazar se abaixou na altura das meninas e se despediu delas.

“Adeus, Julia, adeus, Klara.”

“Adeus.” - responderam, as duas amigas, quase ao mesmo tempo.

Emocionado, o balonista que despencara do céu pulou para dentro do cesto e se colocou ao lado da amada instantes antes do balão se levantar alguns centímetros do chão.

“Adeus, meninas!” - acenou, Doriana, calorosamente.

“Adeus!” - elas responderam.

“Adeus, Boris!” - Lazar gritou para o cão pastor, emendando. - “E comporte-se, seu grandessíssimo travesso!”

Em resposta, Boris explodiu em euforia e começou a correr atrás do balão, que, por sua vez, ganhava altitude com certa rapidez. Inexplicavelmente à medida que subia, se destacou do céu azul e desapareceu sobre o paredão de rochas, ao mergulhar numa extensa nuvem branca.

“Não sei se fizemos a coisa certa ao deixá-la para trás.” - disse, Lazar, para Doriana, referindo-se à menina de Gabrovo. - “Yordanka abandonou a menina.” - externando arrependimento, o balonista concluiu. - “Klara não tem ninguém que a proteja, precisamos voltar.”

“Tenha fé.” - pediu, Doriana, sem qualquer preocupação. - “Você, muito mais do que eu, sabe que Klara não está sozinha, nem, tampouco, desprotegida.”

Seguiram viagem absolutamente certos de que não havia porquê pensar o contrário.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

25 de janeiro de 2017

O RESGATE DE LAZAR: Segunda Parte do Capítulo.

balão subindo em um céu azul


“Malvado?” - a bela balonista encarou a menina com preciosismo. - “Por que acha que ele é malvado?” - perguntou.


“Porque ele está sempre aprontando.” - respondeu, Julia, com certo exagero. - “Não consegue ficar quieto, não sabe se comportar e só me arruma problemas. Quando não desaparece, está infernizando a vida de alguém.”

Discreta, a balonista abriu um sorriso enquanto ouvia, pacientemente, Julia reclamar:

“Eu gosto muito do Boris, mas ele vive latindo para todo o mundo e para tudo. Ele é terrível.”

“Mesmo assim, eu imagino que você deve gostar muito dele.” - ela acrescentou, divertindo-se com a irritação da menina.

“Sim.” - assegurou, Julia, confessando. - “Apesar de tudo, eu gosto muito dele.”

“Muito?”

“Sim, muito.”

Lazar, que assistia a conversa da amada sem interrompê-la, apresentou as meninas:

“Essas são Julia e Klara, minhas duas novas amigas.” - indicou-as, respectivamente.

“Olá, meninas.” - cumprimentou, a balonista, que também se apresentou. - “Muito prazer, meu nome é Doriana. Sou a noiva de Lazar.”

“Olá.” - respondeu, Julia, alegremente.

“Oi.” - emendou, Klara.

Além de bela e charmosa, Doriana tinha um tom de voz amável e era alguns centímetros mais baixa em relação a Lazar. Seus cabelos eram compridos, castanhos, encarolados e, na altura do pescoço, estavam amarrados por uma fita verde-escuro de cetim.

Logo depois de apresentar as meninas, Lazar levou a amada para ver, pessoalmente, os estragos em seu balão.

“Eles estão completamente vazios.” - Doriana conferiu os cilindros na qual deveria estar o combustível.

“Como já disse, não percebi que estava sem combustível.” - Lazar se justificou, voltando a ficar envergonhado. - “Fiz uma aterrizagem e tanto!” - bufou.

“E veja esses rasgos no tecido!” - exclamou, Doriana, que seguiu conferindo os estragos no balão acidentado. - “Definitivamente, não há nenhuma chance dele levantar voo novamente. Estou impressionada que você não tenha se machucado.”

“Fiz uma aterrizagem e tanto.” - repetiu, Lazar, confessando. - “Tive sorte. Pensei que fosse morrer.”

Conforme Doriana conferia o balão, o constrangimento de Lazar só se fazia aumentar. Ele, então, desconfortável com toda aquela situação, tentou mudar de assunto. Olhou para Boris e disse:

“Estive pensando em adotarmos um cão. Que acha?”

“Vamos ter que seguir viagem no meu balão.” - disse, Doriana, invés de responder. - “Aceita uma carona?” - perguntou.

“Aceito, honrado, sem pensar duas vezes.” - respondeu, o balonista búlgaro, em tom solene e apaixonado.

Nesse meio tempo, Julia vigiava Boris com olhos estreitos, impedindo-o de aprontar novamente.

“Comporte-se, seu malvado!” - repreendeu-o, a menina.


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19 de janeiro de 2017

O RESGATE DE LAZAR: Primeira Parte do Capítulo.

Balão acidentado caindo em terreno

Ao contrário do que aconteceu com Lazar, que, literalmente, despencara do céu, quem pilotava o balão roxo não externava estar em apuros. Quem o pilotava na verdade não era um homem, mas, sim, uma bela mulher que, habilmente, administrava o ar quente dentro do balão, fazendo-o descer suavemente.

Ao lado de Julia, Klara olhou para cima, na direção que o cão latia.

“Olha, é outro balão!” - exclamou, a pequena, assim que o avistou. Ao lembrar-se do acidente de Lazar, a menina se perguntou em voz alta. - “Ele está caindo?” - ficou preocupada.

Lazar, por sua vez, não mostrou preocupação alguma. Sabia perfeitamente que aquela mulher não estava em perigo e que, ao contrário dele, era uma exímia balonista. Apenas suspirou, olhando para o céu.

“Ele não está caindo.” - disse para Klara, referindo-se ao balão.

“Não está?” - a pequena perguntou.

“Não.” - garantiu, Lazar.

O balão roxo foi crescendo, conforme se aproximava do chão e se revelava tão belo quanto era o balão de Lazar, até que, enfim, o cesto tocou o chão e o balão pousou tão suavemente que sequer parecia ser real.

“O que houve com o seu balão?” - preocupada, a balonista foi logo perguntando para Lazar.

“Estava tão distraído com a paisagem que me esqueci de verificar o quanto ainda tinha de combustível.” - respondeu, Lazar, que, envergonhado, desconversou rapidamente. - “Achei que tivesse me esquecido. Bem vinda, meu amor. Como foi a viagem?”

“Fantástica, como sempre.” - a bela mulher respondeu.

Mesmo no chão, Boris não parava de latir para o balão. Era como se ele fosse seu arqui-inimigo. Entretanto, assim que a bela balonista saltou para fora do cesto, o cão pastor búlgaro sustentou-se nas patas traseiras e lambeu-lhe o rosto.

“Mas que recepção mais calorosa!” - exclamou, maravilhada, penteando os pelos do animal com os dedos. A balonista perguntou para Lazar. - “Qual é o nome desse adorável cão?”

“O nome dele é Boris.” - Lazar respondeu em tom descontraído.

A bela mulher fez mais carinho no cão pastor, que retribuiu abanando o rabo. Julia, nesse momento, juntamente com Klara, se aproximou, irritada com o cão.

“Saia de cima dela, seu malvado!” - bradou, repreendendo-o. - “Vamos, pede desculpas agora mesmo!”

“Não é necessário.” - disse, a balonista, em tom sereno, mostrando não se importar com a travessura do cão. - “O fato de eu passar a maior parte do tempo nas nuvens, viajando a bordo do meu balão, não significa que eu não goste de uma boa companhia em terra firme.” - acrescentou, perguntando à menina ruiva. - “Você deve ser a dona do Boris?”

“Sim.” - Julia respondeu. - “O Boris é o meu cão pastor, mas ele é muito malvado.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.