Mostrando postagens com marcador Aninha Dona Fada e os Sapatinhos de Brilhantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aninha Dona Fada e os Sapatinhos de Brilhantes. Mostrar todas as postagens

7 de dezembro de 2016

Manifestos da Infância: Aninha, Dona Fada e os Sapatinhos de Brilhantes.

Coelhos cor de rosa, sapatinhos de brilhantes com poderes mágicos

Dona Fada já preparava o café da manhã para a filha antes que os primeiros raios do Sol atravessassem a janela do quarto. Carinhosa, mostrou capricho no modo com que decorou os bolinhos com minúsculos confeitos coloridos e creme de chocolate, e igualmente foi sua dedicação ao picar um punhado de frutas, selecionando-as uma por uma, para fazer a mais colorida das saladas de frutas que já existiu. Fez também uma jarra de vitamina com leite gordo, iogurte, mel, morangos e cereais, cortou fatias de pão salgado que havia passado boa parte da noite preparando e as recheou com queijo cremoso feito em casa. Fez tudo sem pressa. Uma maravilha!

Amava muito Aninha, uma fadinha simpática, feliz e não menos graciosa. Depois de arrumar o café da manhã na mesa, Dona Fada foi até o quarto da filha e a acordou com um beijo no rosto.

-Bom dia, minha querida. - disse, perguntando. - Está com fome?

Aninha deu um longo bocejo e balançou a cabeça para cima e para baixo, respondendo que sim.

-Ótimo, porque eu também estou com fome.

Dona Fada, percebendo o sono, não hesitou em ajudá-la a despertar de uma vez. Agitando sua varinha mágica no ar, fez com que as cortinas se abrissem e a luz do Sol inundasse o quarto. A claridade é um ótimo despertador natural, além de ser muito usada pelas fadas na hora de acordarem suas filhinhas.

Aninha se levantou da cama em seguida e foi direto para o banheiro, onde lavou o rosto e escovou os dentes, para, então, ir tomar o café. Esse era um ritual que a fadinha cumpria todas as manhãs, logo que acordava. Quando chegou na cozinha, viu o banquete colocado na mesa.

-Obrigado, mamãe. Será que eu vou conseguir comer tudo?

-Tudo? - Dona Fada a encarou, pensativa. - Acho improvável. - respondeu. Enquanto olhava para a mesa e em tom de brincadeira, concluiu. - Como eu já disse, estou com muita fome. Eu te ajudo a comer tudinho. Não vai sobrar nada.

Aninha abriu um largo sorriso, achando graça na descontração da mãe.

-Tudinho mesmo? - perguntou.

-Tudinho. Sou capaz de comer até a mesa.

-Comer a mesa? - Aninha arregalou os olhos. - E as cadeiras, também? - perguntou.

-Tudinho, tudinho, tudinho. - a fada materna insistiu na brincadeira.

Satisfazia-se enormemente e sempre que via um sorriso se abrir no rosto da amada filha. Assim sendo, certa de que realmente estava com muita fome, muita fome mesmo, Aninha sentou-se na cadeira mais próxima da porta da cozinha e começou a tomar o café. Pediu um dos bolinhos caseiros à sua mãe, que a atendeu prontamente, depois quis uma porção de salada de frutas, duas fatias bem grossas de pão e uma caneca cheia de vitamina.

-Que delícia! - exclamou após tomar um gole da vitamina.

Dona Fada a seguiu na comilança. Sentou-se na cadeira, pegou uma fatia de pão e também encheu a sua caneca com vitamina. Metade de uma hora depois, Aninha terminou de tomar o seu café e esteve bem alimentada. Dona Fada, entretanto, havia preparado mais uma surpresa.

Disse, ela:

-Eu tenho um presentinho para você, minha querida.

-Um presente para mim?

-Isso mesmo, ele está no seu quarto.

Definitivamente, aquele estava sendo um dia muito especial para Aninha, muito mesmo. Num súbito contentamento que só se fazia crescer, ela exclamou:

-Eu imaginava que a gente só ganhava presente quando fazia aniversário!

A atenciosa fada fingiu surpresa com o comentário da filha.

-É mesmo? - a fada materna perguntou inocentemente.

-Aham. - a pequena fadinha acenou que sim

Aninha era uma criaturinha que só gerava amor em sua volta. Antes de correr para o quarto para pegar seu presente, ela se levantou da cadeira e beijou Dona Fada no rosto.

-Obrigado, mamãe. - agradeceu novamente. - Eu te amo muito.

-De nada, minha querida, também te amo. - Dona Fada a abraçou. - Te amo muitíssimo mesmo! Você é uma filha carinhosa, obediente e gentil. Merece ganhar um presentinho de vez em quando.


* * * * *

Sem fazer qualquer esforço para minimizar seu entusiasmo e sua curiosidade, Aninha não ficou mais nenhum segundo longe do presente: foi correndo para o seu quarto e viu um par de sapatinhos cor-de-rosa brilharem como pouquíssimas coisas no mundo seriam possíveis de brilhar. Estavam ajeitados caprichosamente, um do ladinho do outro, na beirada da cama.

-Gostou do presente? - perguntou, Dona Fada, ao ver o contentamento estampado no rosto da filha.

-Aham, muito. - respondeu, a menina fadinha, balançando a cabeça afirmativamente. Ao tocar nos sapatinhos, ela perguntou. - Como sabe que a minha cor preferida é rosa?

Meu Deus, como as fadinhas podem ser tão puras! Quem olhasse para o quarto imediatamente veria que a pergunta tinha uma resposta mais do que óbvia. Tudo, exceto as cortinas que eram azuis, tinha os tons da sua cor preferida. Aninha era apaixonada por tudo que lembrava rosas.

Dona Fada se abaixou na altura da filha e, olhando-a com descontração, respondeu:

-Um passarinho fofoqueiro me contou.

-Um passarinho? - Aninha a encarou, surpresa. - De que cor era esse passarinho?

-Um passarinho que também era cor-de-rosa. - afirmou então, Dona Fada, ludicamente.

Assim que ouviu a resposta, Aninha imaginou um passarinho cor-de-rosa fofoqueiro piar no ouvido de sua mãe e achou a cena muito engraçada. Aliás, poucas meninas fadinhas no mundo não veriam graça nisso.

Em seguida, calçou os sapatinhos de brilhantes que couberam perfeitamente nos seus pés.

-Eles são confortáveis? - perguntou, Dona Fada.

Aninha balançou a cabeça, respondendo que sim:

-Aham, eles são.

De fato eram extremamente confortáveis. Aqueles sapatinhos, além de macios, se encaixaram tão perfeitamente nos pés de Aninha que pareciam terem se ajustado magicamente.

Enquanto Dona Fada observava a filha próxima da porta do quarto e presenciava seu entusiasmo com os presentes, a fadinha deu alguns passos para o lado e percebeu que, durante a curta caminhada, eles brilharam com mais intensidade.

-Olha, mamãe, os sapatinhos estão brilhando com mais força! - Aninha exclamou ao olhar para baixo e mexer os pés.

-Sim, querida. - assentiu, Dona Fada, que ainda revelou um detalhe especial do presente que havia dado. - Os sapatinhos são mágicos, por isso é que eles brilham quando você anda.

-Mágicos? Que eles fazem?

-Realizam desejos.

-Que tipo de desejo?

-Qualquer desejo. - Dona Fada respondeu e explicou brevemente. - Com os sapatinhos calçados, você fecha os olhos, faz um pedido do fundo do coração e chacoalha os pés.

Assim sendo, sem perda de tempo, Aninha fechou os olhos e pôs-se a pensar o que pedir.


* * * * *

Foi assim que Aninha realizou seu primeiro desejo: chacoalhou os pés de olhos fechados e seus sapatinhos brilharam segundos antes de um enorme coelho cor-de-rosa, com orelhas gigantes, surgir no quarto.

-Puxa vida, minha querida, você pediu um coelho e tanto! - exclamou, Dona Fada, surpresa e quase caindo para trás. - Ele é muito mais grande do que qualquer outro no mundo e também é cor-de-rosa! - emendou ao mesmo tempo em que se mostrou espantada com o desejo da filha e era observada com ternura pelo animal.

-Ele não é fofinho? - perguntou, Aninha, emanando alegria.

-Aham, muito. - respondeu, Dona Fada. - Ele é bem fofinho, o problema é que é grande demais. Não podia ter pedido um coelho um pouquinho menor, querida?

A menina fadinha pouco pensou para responder que não.

-Eu sempre quis ter um coelho gigante. - disse. - Prometo que vou cuidar dele.

-Promete mesmo?

-Prometo. - assegurou, Aninha, logo perguntando. - Posso ficar com ele?

-Está bem. - aceitou, Dona Fada. Carinhosa, a fada materna olhou para o coelho e atestou à filha. - Você tem razão, minha querida. Ele até que é bem fofinho, apesar do tamanho.

Neste meio tempo, ora confuso, ora assustado, o coelho apenas arrebitou suas enormes orelhas e recebeu vários abraços amorosos de Aninha. Era como se ele se mostrasse muito mais surpreso por ter aparecido naquele quarto do que a própria Dona Fada havia se mostrado ao vê-lo.


* * * * *

Tão logo teve o primeiro desejo atendido pelos sapatinhos de brilhantes, Aninha fez a seguinte pergunta:

-Posso fazer um outro, mamãe?

-Sim, minha querida. - respondeu uma Dona Fada que era observada de perto pelo coelho cor-de-rosa.

-Oba!

Antes de fazerem brilhar os sapatinhos, Aninha voltou a fechar os olhos e colocou-se a imaginar o que poderia ser seu segundo desejo.

-Que eu vou pedir? - em voz baixa, a menina fadinha se perguntava. E pensou. - Eu tenho tudo: tenho uma mãe que me ama, tenho um quarto, tenho brinquedos e tenho até muitas amigas para brincar. Que será que eu quero agora?

Não demorou muito para que Aninha encontrasse a resposta. Mentalizou fortemente outro coelho cor-de-rosa, chacoalhou os pés, fazendo com que seus sapatinhos novamente brilhassem, e viu seu primeiro pedido se multiplicar por dois.

-Minha nossa, outro coelho! - exclamou, Dona Fada, surpreendida com o segundo desejo da filha.

Com um olhar de espanto e como que respondendo a surpresa de Dona Fada, o segundo coelho também externou assombro por sua aparição no quarto, ao mesmo tempo que Aninha agora mostrava uma alegria duplicada em ver que tinha dois coelhos gigantes para brincar.

-Ele não é fofinho? - perguntou.

Dona Fada, sem saber muito o que responder, acenou que sim com a cabeça.

-Aham, minha querida. - disse. - Ele é muito fofinho.


* * * * *

Os dois coelhos se ajuntaram num canto do quarto e não fizeram cerimônia ou rejeição à presença de um ao outro. De imediato, ficaram amigos. Mesmo assim, Dona Fada não conseguia deixar de observá-los com certo ar de preocupação. Não tinha medo deles pois, apesar de serem bem mais grandes do que o normal, eram mansos, carinhosos e dóceis. Sua preocupação se limitava ao pouco espaço que tinha dentro de casa para abrigá-los com conforto.

-Onde eles vão ficar, minha querida? - perguntou à filha, referindo-se aos coelhos.

A resposta pareceu ser bastante óbvia para a menina fadinha.

-No meu quarto. - respondeu. Ingenuamente, concluiu. - Eles vão dormir junto comigo, na minha cama. São meus filhinhos.

Dona Fada sorriu com a resposta.

-Na sua cama?

-Isso mesmo. - assegurou, Aninha, que, com uma alegria que só se fazia crescer, exclamou ainda para Dona Fada. - A gente vai dormir bem juntinho, vai ser muito legal!

Na cama mal cabiam um dos coelhos, quiçá os dois coelhos juntos. Cada um deles tinha mais do que o triplo do tamanho da menina fadinha. Dona Fada, assim sendo, sem insistir com a preocupação, limitou-se a sorrir prazerosamente enquanto presenciava a alegria da filha, que, por sua vez, ansiosa em ver seus sapatinhos brilharem novamente, tornou a perguntar:

-Eu posso fazer outro desejo?

-Outro desejo? - apreensiva, Dona Fada parou de sorrir no mesmo instante. - Que você vai pedir? - perguntou já desconfiando qual seria a resposta.

-Eu quero outro coelho cor-de-rosa. - Aninha respondeu.

-Outro coelho cor-de-rosa! - Dona Fada quase se derramou para trás. - Tem certeza, minha querida? - questionou-a, trêmula e com os olhos bem arregalados.

Aninha só pode ter brincado com a mãe ao responder que queria outro coelho cor-de-rosa; já tinha dois! Mas não brincou.

-Aham. - respondeu que sim. - Você sabe que eu sou apaixonada por coelho e que também amo muito cor-de-rosa, não sabe? - destemida, sonhadora e determinada, Aninha era pura felicidade.

-Sim, minha queria. - Dona Fada autorizou que a filha fizesse o terceiro pedido então. - Que mau há em ter mais um coelhinho gigante, não é mesmo? – fez a pergunta a si própria.

A pequena fadinha chacoalhou os pés alegremente e fez com que seus sapatinhos mágicos voltassem a brilhar, enquanto que os dois coelhos gigantes levantaram as orelhas, encolheram os focinhos e correram, assustados, para cima da cama, que se partiu ao meio com o peso dos dois. Pareceram adivinhar o exato instante que o terceiro coelho cor-de-rosa apareceu no quarto.

FIM