“Pois bem, não seja por isso.” - pomposamente, o imperador insultado se apresentou. - “Meu nome é Napoleão Bonaparte. Sou o imperador da França, o rei da Itália, o protetor da Confederação do Reno e o co-príncipe de Andorra.”
As duas amigas arregalavam os olhos, estupefatas, na medida em que o ouvia se descrever com um orgulho de si próprio que só parecia crescer.
“Um estranho não grava o seu nome na história como eu gravei.” - emendou, Napoleão, garantindo. - “Estranhos não marcam época como...”
Klara o interrompeu, perguntando:
“Imperador de onde?”
“Imperador da França.” - respondeu, um Napoleão visivelmente contrariado.
Diante de tal resposta, Klara olhou para a amiga e perguntou:
“A gente está na França?”
“Não.” - Julia respondeu. - “A gente ainda está na Bulgária.” - disse e foi logo perguntando para Napoleão. - “Mas o que faz um imperador?”
“Impera.” - com má vontade, Napoleão se limitou a responder. - “Um imperador impera.”
As duas amigas sorriram uma para a outra. Pareciam achar graça no modo como ele falava.
Por sua vez, orgulhoso, Napoleão foi rápido e pôs fim aos sorrisos.
“Por que trouxeram Luc para cá?” - perguntou.
“Não foi a gente que trouxe ele para cá.” - respondeu, Julia, explicando. - “Foi ele que trouxe a gente até o acampamento.”
“Que seja!” - bufou, Napoleão, que, despedindo-se num profundo tom de tédio, concluiu. - “Sendo assim, eu agradeço por terem cuidado dele. Tenham um bom dia.”
“Adeus, senhor Napoleão.” - responderam, Julia e Klara, quase ao mesmo tempo.
O imperador francês deu outro tapa no lombo do muflão, que, de pronto, voltou a marchar, distanciando-se lentamente das meninas.
“Onde já se viu uma coisa dessas, elas não me reconheceram!” - em voz baixa, resmungou. - “Todo o mundo sabe quem eu sou e que eu, como poucos, marquei época. Como essas menininhas petulantes não souberam o meu nome?” - se perguntou.
Menos apreensiva ao passo que o vaidoso imperador se distanciava, a raposa de fogo se colocou perto de Julia e o observou ir embora.
“Eu nunca tinha conhecido um imperador antes.” - confidenciou, a menina de Gabrovo, à amiga.
“Eu também não.” - respondeu, Julia. - “Ele deve ser o único imperador que existe no mundo. A gente teve muita sorte de conhecer ele, não é mesmo?”
“Aham.” - assentiu, Klara.
Julia e Klara se levantaram do amontoado de almofadas e bocejaram demoradamente. Napoleão, por sua vez, olhou para trás, na direção delas, e mostrou a língua. Ambas ficaram chocadas com tamanha grosseria e tal atitude fez Boris explodir em latidos.
“Que coisa mais feia!” - exclamou, Klara, à amiga.
“É mesmo!” - concordou, Julia. - “Pode até ser um imperador, mas não tem educação.”
"Não gosto dele.”
“Eu também não.”
O dia encontrava-se profundamente agradável, e o céu, cor azul-turquesa, estava luminoso.
As duas amigas, Boris e a raposa de fogo deixaram, então, a montanha para trás e seguiram para a casa de Julia, onde Klara, diferentemente do que queria, ficou ainda mais longe de reencontrar sua mamãe.
CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.


