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1 de março de 2017

NAPOLEÃO E O MUFLÃO FRANCÊS: Terceira Parte do Capítulo.

ilustrações do imperador francês

“Pois bem, não seja por isso.” - pomposamente, o imperador insultado se apresentou. - “Meu nome é Napoleão Bonaparte. Sou o imperador da França, o rei da Itália, o protetor da Confederação do Reno e o co-príncipe de Andorra.”

As duas amigas arregalavam os olhos, estupefatas, na medida em que o ouvia se descrever com um orgulho de si próprio que só parecia crescer.

“Um estranho não grava o seu nome na história como eu gravei.” - emendou, Napoleão, garantindo. - “Estranhos não marcam época como...”

Klara o interrompeu, perguntando:

“Imperador de onde?”

“Imperador da França.” - respondeu, um Napoleão visivelmente contrariado.

Diante de tal resposta, Klara olhou para a amiga e perguntou:

“A gente está na França?”

“Não.” - Julia respondeu. - “A gente ainda está na Bulgária.” - disse e foi logo perguntando para Napoleão. - “Mas o que faz um imperador?”

“Impera.” - com má vontade, Napoleão se limitou a responder. - “Um imperador impera.”

As duas amigas sorriram uma para a outra. Pareciam achar graça no modo como ele falava.

Por sua vez, orgulhoso, Napoleão foi rápido e pôs fim aos sorrisos.

“Por que trouxeram Luc para cá?” - perguntou.

“Não foi a gente que trouxe ele para cá.” - respondeu, Julia, explicando. - “Foi ele que trouxe a gente até o acampamento.”

“Que seja!” - bufou, Napoleão, que, despedindo-se num profundo tom de tédio, concluiu. - “Sendo assim, eu agradeço por terem cuidado dele. Tenham um bom dia.”

“Adeus, senhor Napoleão.” - responderam, Julia e Klara, quase ao mesmo tempo.

O imperador francês deu outro tapa no lombo do muflão, que, de pronto, voltou a marchar, distanciando-se lentamente das meninas.

“Onde já se viu uma coisa dessas, elas não me reconheceram!” - em voz baixa, resmungou. - “Todo o mundo sabe quem eu sou e que eu, como poucos, marquei época. Como essas menininhas petulantes não souberam o meu nome?” - se perguntou.

Menos apreensiva ao passo que o vaidoso imperador se distanciava, a raposa de fogo se colocou perto de Julia e o observou ir embora.

“Eu nunca tinha conhecido um imperador antes.” - confidenciou, a menina de Gabrovo, à amiga.

“Eu também não.” - respondeu, Julia. - “Ele deve ser o único imperador que existe no mundo. A gente teve muita sorte de conhecer ele, não é mesmo?”

“Aham.” - assentiu, Klara.

Julia e Klara se levantaram do amontoado de almofadas e bocejaram demoradamente. Napoleão, por sua vez, olhou para trás, na direção delas, e mostrou a língua. Ambas ficaram chocadas com tamanha grosseria e tal atitude fez Boris explodir em latidos.

“Que coisa mais feia!” - exclamou, Klara, à amiga.

“É mesmo!” - concordou, Julia. - “Pode até ser um imperador, mas não tem educação.”

"Não gosto dele.”

“Eu também não.”

O dia encontrava-se profundamente agradável, e o céu, cor azul-turquesa, estava luminoso.

As duas amigas, Boris e a raposa de fogo deixaram, então, a montanha para trás e seguiram para a casa de Julia, onde Klara, diferentemente do que queria, ficou ainda mais longe de reencontrar sua mamãe.



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27 de fevereiro de 2017

NAPOLEÃO E O MUFLÃO FRANCÊS: Segunda Parte do Capítulo.

imagens engraçadas de Napoleão

Nesse meio tempo, a raposa de fogo espreitava cada mínimo gesto de Napoleão, pois não confiava nele, enquanto que Pedro, o muflão montanhês, continuava mostrando indiferença aos latidos que Boris lhes direcionava.

“Quieto, seu malvado!” - irritada, exigiu, Julia, ao cão búlgaro, que, dessa vez, a obedeceu, afastando-se de Pedro e indo para perto da raposa.

O imperador francês logo em seguida deu as costas às meninas e caminhou vagarosamente até o muflão, onde, com certa dificuldade, montou no lombo do animal.

“O Pedro seguiu a gente até aqui!” - exclamou, Klara, à amiga.

Devido ao tumulto, a pequena búlgara ainda não o havia visto.

“Quem é Pedro?” - perguntou, Napoleão, de cima do muflão.

“Pedro é o nome do nosso muflão.” - Julia respondeu.

“Está enganada, menina.” - retorquiu, Napoleão, sem perder o tom solene em sua voz. - “O nome dele é Luc.” - corrigiu-a.

“O nome dele é Luc?” - Klara se perguntou em voz alta, estranhando o nome.

“Exatamente.” - Napoleão respondeu. - “Esse é o nome que eu escolhi para ele."

“Mas a gente achou ele quando atravessou a ponte.” - a menina ruiva protestou.

“E a gente deu o nome Pedro para ele.” - complementou, Klara, referindo-se ao muflão da montanha.

“Que seja, chamem-no como quiserem.” - Napoleão as ignorou. - “Não me importa onde vocês o acharam, nem aonde ele as levou.” - vaidoso, declarou. - “O nome dele é Luc e assim será no dia de hoje, de amanhã e de todo o sempre.”

Nada puderam fazer para que o imperador voltasse atrás em sua decisão. Napoleão Bonaparte deu um tapa no lombo do muflão e Luc, então, começou a marchar, voltando a atiçar a euforia de Boris.

Julia, imediatamente, estreitou os olhos para o cão pastor e se desculpou, dizendo ao imperador francês:

“Perdoa ele, moço. O Boris não está acostumado com gente estranha.”

“Eu agora sou um estranho?” - perguntou, Napoleão, que parou no mesmo instante.

Mesmo que por uma inocente menina, ser classificado como estranho soou ao imperador como um grave insulto.

“Sim, um estranho.” - respondeu, Julia, normalmente. - “Afinal, a gente não te conhece.”


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23 de fevereiro de 2017

NAPOLEÃO E O MUFLÃO FRANCÊS: Primeira Parte do Capítulo.

Ilustração com três imagens célebres de Napoleão Bonaparte

O mal humor só aumentava conforme, desconfiado, ele encarava as duas meninas que dormiam pesadamente sobre as almofadas.

“Quem são essas meninas?” - perguntou-se, o imperador, pensativo.

Vaidoso, Napoleão Bonaparte mostrava ser muito importante pelo jeito vagaroso com que se aproximou de Julia e Klara. Com sua alinhada vestimenta militar, trazia consigo uma espada, minuciosamente pendurada na altura da cintura, além de Pedro, o muflão que as duas meninas haviam deixado para trás, no acampamento. O imperador francês, mesmo com sua baixa estatura, conseguia a proeza de ficar ainda mais atarracado, quase sem pescoço, ao parar e se curvar diante das almofadas, atento, fazendo pose imperial.

Boris, por sua vez, novamente eufórico, ao vê-lo se aproximar das meninas, começou a latir e rosnar.

“Cale-se, peste peluda!” - exigiu, Napoleão, ao cão pastor, que, em resposta, pôs-se a latir ainda mais alto.

Sem demora, Julia acordou em meio aos latidos. Além de se deparar com Napoleão, olhando-a com esnobismo e menosprezo, logo viu o muflão, que mantinha inabalável indiferença ao escândalo que o cão fazia.

“Boris, seu malvado!” - a menina ruiva o repreendeu.

O cão, porém, sequer pareceu ouvi-la. Continuou latindo e rosnando para o imperador e o muflão.

Não podendo ignorar tamanho escândalo, Klara acordou em seguida, mal conseguindo abrir os olhos para ver o que estava acontecendo devido a intensa claridade do Sol que inundava seu rosto.

Ela se sentou no amontoado de almofadas e ouviu Napoleão perguntar para Julia:

“Então, a peste se chama Boris?”

A pergunta soou em tom de sarcasmo e rudeza.

“O Boris não é nenhuma peste.” - rebateu, Julia, visivelmente ofendida. - “Ele é o meu cão pastor e eu gosto muito dele.”

“Gosta dele?” - o imperador a provocou.

“Sim.” - Julia respondeu.

“Que seja.” - bufou, Napoleão, em tom de tédio.

Apesar de parecer se divertir com o nervosismo da menina, ao que percebeu o olhar distante de Klara, ele voltou as atenções à pequena e perguntou:

“E você, menininha, o que faz nesse fim de mundo?”

Intimidada, Klara olhou para o lado, buscando resposta na amiga.

“Ela está perdida.” - Julia respondeu por ela.

“Perdida?”

“Sim.” - confirmou, Klara, em voz quase inaudível. - “A minha vovó me abandonou.”

“É uma pena.” - disse, Napoleão, insensível. E acrescentou. - “Lamento não ter tempo para ajudá-la.”


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