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20 de março de 2017

O INTERROGATÓRIO (Terceira Parte do Capítulo).

ilustração de imagens coloridas

“Se Milosh foi legal com vocês, que são minhas amigas, mesmo sem conhecê-lo, já o considero meu amigo.” - ao dizer, o balonista pôs a espiga de milho em seu prato e perguntou descontraidamente. - “Quem mais vocês conheceram?”

“A gente conheceu Zita.” - respondeu, Julia.

“E Zita, quem é?”

“Zita é a irmã de Milosh.” - Klara respondeu.

Lazar, de novo, fingiu surpresa ao ouvir a resposta de Klara, que, por sua vez, emendou:

“E ela também foi muito legal com a gente.”

Ao concluir seu pequeno interrogatório, o balonista suspirou, dizendo:

“Não fazem ideia de como me deixaram ansioso para conhecer esse acampamento.”

Julia e Klara, em resposta, sorriram para ele.

Sem que ninguém notasse, observando a conversa, entediado, Boris atravessou a porta da sala e disparou até o balão de Lazar. Na medida em que começava a retalhar um pedaço do tecido amarelo com seus dentes pontiagudos, explodiu em euforia.

“Aonde será que ele foi agora?” - perguntou, Julia, à amiga, referindo-se ao cão pastor.

“Quem?” - Klara perguntou.

“O Boris.” - disse, Julia.

“Eu não sei.” - a pequena respondeu.

Desconfiada, Julia, então, se levantou da cadeira, parecendo adivinhar os momentos em que ele aprontava, e foi procurá-lo fora da casa. Logo que atravessou a porta da sala, viu-o encima do cesto do balão que havia tombado na queda e o repreendeu:

“Boris, venha já para cá!”

Em resposta, o cão pastor búlgaro saltou de cima do cesto e correu ao encontro da menina, trazendo consigo um retalho de tecido que arrancara do balão.

“O que é isso?” - quis saber, Julia, ao pegar o tecido. E perguntou, nervosa. - “Onde você o achou?”

Mas Boris apenas latiu.

Percebendo que se tratava de um retalho do balão de Lazar, a menina ruiva o encarou, mostrou o que segurava nas mãos e bufou:

“Olha o que você fez, seu malvado!”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

16 de março de 2017

O INTERROGATÓRIO (Segunda Parte do Capítulo).

imagem de pôr do sol amarelo

Enquanto conversavam, Velislava olhou fixamente nos olhos de Lazar. Era como se lhe dissesse algo apenas por telepatia. O balonista, em resposta, fez um discreto aceno com a cabeça e perguntou às meninas:

“Soube que vocês subiram a montanha cigana e conheceram o acampamento. Eles são legais?”

“Sim.” - Julia respondeu.

“Eles são muito legais.” - emendou, Klara.

Lazar as encarou, fingindo surpresa com o que ouviu.

“Apesar de ter sobrevoado aquela montanha incontáveis vezes a bordo do meu balão só os vi de longe.” - comentou, referindo-se aos anjos ciganos. - “Eu não conheço o acampamento e também nunca estive na montanha. Como eles são?” - perguntou.

“A gente também não conhecia o acampamento.” - ressaltou, Klara, explicando antes de dar uma dentada em sua espiga de milho. - “Mas eles foram muito legais com a gente.”

“Foi o Pedro que levou a gente até lá.” - acrescentou, Julia.

Atento, Lazar não escondeu sua estranheza.

“Quem é Pedro?” - perguntou.

“Pedro é um muflão.” - Julia respondeu.

“Foi ele quem levou a gente ate à montanha.” - continuou, Klara, contentemente. Lembrando-se do banquete servido pelos anjos, revelou ao balonista. - “Milosh também é muito legal e a comida cigana é muito gostosa.”

Feliz ao ver a alegria estampar-se no rostinho da pequena, Lazar abriu um largo sorriso.

“Enquanto a isso, eu não tenho nenhuma dúvida!” - exclamou, confidenciando. - “Minha mamãe é cigana e sempre fez comidas muito gostosas para mim.” - em seguida, o balonista búlgaro deu uma generosa dentada em sua espiga de milho cozido.

“Qual é o nome dela?” - perguntou, Klara, curiosa.

“Minha mamãe se chama Napolina.” - ele respondeu.

Lazar não queria pôr fim à conversa, por isso foi logo perguntando:

“E Milosh, quem é? É algum outro muflão que vocês conheceram?”

“Não.” - respondeu, Klara, dizendo. - “Milosh é um dos anjos ciganos que a gente conheceu no acampamento.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

15 de março de 2017

O INTERROGATÓRIO (Primeira Parte do Capítulo).

milho verde cozido

“Não se lembra de nada?” - perguntou, Lazar, que, cada vez mais intrigado pelo esquecimento de Klara, insistiu. - “Tente se lembrar de qualquer coisa que possa ter acontecido antes de você acordar na clareira.”

A pequena búlgara, então, se esforçou para lembrar de alguma coisa. Fechou os olhos, imaginando-se de volta naquele lugar, mas nada que importasse lhe veio na cabeça.

“Eu não consigo me lembrar de nada.” - disse, aflita.

Diferentemente de Boris, que o observava de um canto da sala, e de Velislava, que se sentou perto da porta, Lazar estava sentado de frente para uma mesa, entre Julia e Klara, onde havia um prato oval de porcelana com espigas de milho que ele próprio cozeu.

“Sua vovó foi a primeira pessoa que você viu?” - quis saber, o balonista, enquanto garfava uma das espigas cozidas.

“Sim.” - Klara respondeu.

Ela olhou para Julia, que, ao perceber a agonia no seu olhar, interveio.

“Não precisa ficar preocupada, Klara.” - disse, a menina ruiva, igualmente intrigada pelo esquecimento da amiga. Mesmo não externando a preocupação que sentia e com receio de agoniá-la ainda mais, Julia foi logo prometendo. - “A gente vai encontrar a sua vovó.”

“Exatamente.” - emendou, Lazar, que, enfim, se deu conta de que a menina verdadeiramente estava sendo sincero quando dizia não se lembrar de nada. - “A gente vai encontrar a sua família.” - prometeu. - “Não precisa ficar triste, você não está sozinha.”

“Dou a minha palavra que vou ajudá-la.” - tranquilizou-a, perguntando. - “Você confia em mim?”

Tímida, Klara sorriu discretamente e respondeu que sim.

Não era difícil, para ela, confiar em Lazar. A pequena sentia nele a mesma sensação de conforto que sentia em Velislava. Sentia-se acarinhada, cuidada e protegida. A raposa de fogo, nesse meio tempo, passou ao lado da mesa e se deitou no corredor, bem embaixo do quadro misterioso que havia despertado a atenção de Klara.

“Ela não está mais pegando fogo!” - exclamou, Klara.

Para o seu espanto, as chamas que Velislava expelia da pelagem avermelhada havia, quase que por completo, se apagado segundos antes de chegar no corredor.

“De quem você está falando?” - Julia perguntou.

“A sua mamãe.” - apontou, Klara, a raposa deitada no corredor.

Julia, então, se virou e olhou para Velislava a fim de saber sobre o que a amiga se referia.

“Isso sempre acontece.” - disse, com absoluta normalidade. E explicou. - “O fogo apaga para ela poder entrar na casa.”

“Por que?” - Klara perguntou.

“Porque assim ela não machuca ninguém.”

“Não machuca ninguém?”

“Isso mesmo.” - disse, Julia, que voltou a explicar. - “O fogo apaga para ela não queimar a casa e não machucar ninguém.”


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