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7 de abril de 2017

ÚLTIMO CAPÍTULO: O Vale dos Órfãos (Parte 02).

plantação de rosas brancas e amarelas

“Minha mamãe chama Zorka.” - Milena respondeu a pergunta de Klara. Graciosa, revelou. - “Mas eu não sei onde ela está. Ela desapareceu.”

Surpresa, Klara arregalou os olhos.

“Você está perdida?”

“Sim.” - respondeu, a menina de olhos azuis. - “Por que?” - quis saber.

“Porque eu também estou perdida.” - respondeu, Klara.

“Sua mamãe também desapareceu?”

“Sim.” - respondeu, Klara. Rapidamente, a pequena prometeu. - “Não se preocupa, eu te ajudo a encontrar a sua mamãe.”

“Vai me ajudar a encontrar minha mamãe?”

“Aham.” - assegurou, Klara, dizendo. - “A gente vai encontrá-la.” - ela segurou a mão de Milena e, juntas, puseram-se a caminhar pelo vale. - “Quer ser minha amiga?” - perguntou.

“Quero.” - disse, Milena.

Instantes depois, sem que tivessem ido muito longe, Klara e Milena avistaram uma majestosa raposa de fogo se aproximar de um rio, que atravessava todo o vale, para beber água. Milena, apavorada, parou no mesmo instante e perguntou:

“O que é aquilo?”

“É uma raposa de fogo.” - respondeu, Klara, normalmente.

Assim que viu a raposa em chamas, ao contrário da nova amiga, Klara não teve medo. Lembrou-se vagamente de Gabrovo, da própria raposa Velislava, da amiga Julia irritando-se com a euforia de Boris, do banquete servido pelos anjos ciganos e de todas as aventuras que viveu desde o momento em que despertara, sozinha, na clareira.

“Raposa de Fogo?” - Milena se perguntou em voz alta.

“Sim.” - Klara confirmou.

Ainda apavorada, Milena não desviou seu olhar receoso da imponente raposa. Disse, ela, para Klara:

“Acho melhor a gente ir embora.”

“Não precisa ter medo, ela não é malvada.” - Klara a tranquilizou. - “Ela não vai te fazer mal.”

“Promete?”

“Prometo.” - disse, Klara.

Referindo-se às chamas expelidas da pelagem da raposa, Milena emendou a pergunta:

“Ela não se machuca?”

“Não se machuca? Com o quê?”

“Com o fogo.”

“Não.” - disse, Klara. Ela sorriu para a amiga e explicou. - “O fogo só machuca quem faz mal para ela. Ela só quer ser amiga da gente.”

Klara voltou a segurar a mão de Milena. Juntas, se aproximaram da fera, que, por sua vez, ao vê-las, se deitou, docilmente, na margem do rio.

“Ela não parece ser malvada!” - exclamou, Milena, enfim, se convencendo de que a raposa não oferecia perigo algum.

“Eu te disse que ela não era malvada.” - lembrou, a menina de Gabrovo.

Iluminadas pelas chamas da raposa de fogo, Klara e Milena bocejaram, deitaram-se na margem do rio e adormeceram docemente.

Não haviam motivos para tristeza. Sentiam-se plenamente felizes.

Fim da História.

5 de abril de 2017

ÚLTIMO CAPÍTULO: O Vale dos Órfãos (Parte 01).

jardins belos de rosas brancas e amarelas

Por mais que Klara se esforçasse, foi difícil acreditar no que seus olhos enxergavam. O vale ficava ainda mais belo conforme as estrelas distribuíam-se um pouco acima do horizonte montanhoso e, no céu, uma tonalidade alaranjada só se intensificava. Tudo era deslumbrante. Não havia o lago com peixes coloridos que a pequena búlgara imaginou existir, porém, enquanto o balão ainda se aproximava, ela se deparou com um rio harmonioso e cristalino, cujas águas pareciam deslizar sobre a terra, e com uma extensa plantação de rosas brancas e amarelas.

O imenso balão roxo, enfim, pousou.

Lazar levantou Klara e a ajudou a saltar para o lado de fora, onde, sem dizer nada, ficou observando o vale. Só depois, despertando-se do encantamento na qual pareceu ter sido tomada, é que Klara olhou para trás e perguntou para Doriana:

“Esse é o vale?”

“Sim, querida.” - respondeu, a balonista, amorosamente. De dentro do balão, perguntou. - O que achou?

“É muito bonito.” - Klara respondeu.

Numa felicidade que só aumentaria, começou a andar, afastando-se do balão. Não podia ficar parada, só observando, tinha que conhecer cada canto daquele lugar.

O casal de balonistas permaneceu dentro do cesto. Serenos, limitaram-se a observá-la até que uma menina, que havia desembarcado de um balão verde-escuro, se aproximou de Klara.

“Olá, o meu nome é Milena.” - se apresentou.

Milena aparentava ser mais nova do que Klara. Tinha olhos azuis, sua pele era naturalmente pálida e os cabelos eram lisos e castanhos. No rosto, seus traços eram absolutamente graciosos.

Longe de serem as duas únicas meninas que desembarcavam naquele vale, dos balões que, antes, cobriam o céu também desembarcavam outras meninas.

“Oi, eu me chamo Klara.” - timidamente, a pequena búlgara se apresentou à menina de olhos azuis. - “Eu vim naquele balão roxo.” - disse, ao olhar para trás e ver Lazar e Doriana dentro do cesto. - “Eles me trouxeram até aqui.” - revelou. - “Eles são muito legais.”

“Como é o nome da sua mamãe?” - perguntou, Milena.

Curiosa, queria saber mais sobre Klara, que, sem hesitar, respondeu:

“O nome dela é Liza.”

Nesse meio tempo, enquanto as duas meninas começavam a se conhecer, Lazar e Doriana decidiram, então, que deveriam partir, deixando Klara no vale. A bela balonista reacendeu a chama do maçarico, aquecendo, mais uma vez, o ar dentro do balão roxo, que pôs-se a subir rapidamente.

Milena se mostrava tão encantada com o vale quanto a pequena Klara.

“Minha mamãe nunca me trouxe aqui antes.” - revelou.

“Qual é o nome dela?” - perguntou, Klara, que não se entristeceu no momento em que viu o casal de balonistas partir sem se despedir dela.

Encontrara, afinal, uma nova amiga e não havia porquê ficar triste. E também havia chegado no Vale das Rosas, o lugar mais bonito que imaginou existir.

Ganhando altitude e como se nunca houvesse existido, o balão de Doriana desapareceu atrás de uma nuvem solitária.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.