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10 de fevereiro de 2017

Banquete Cigano: Terceira Parte do Capítulo.

ciganos europeus casando, muflão parado, montanha arborizada

Tinha cabelos compridos, lisos e castanhos. A pele era clara e os olhos eram verdes. Imediatamente, Julia e Klara ficaram boquiabertas ao vê-la.

“O que querem comer, meninas?” - refez a pergunta.

“Tomate.” - Klara respondeu.

“Tomate?”

“Sim, eu adoro tomate.”

“E você, minha querida, o que quer comer?” - o anjo perguntou para Julia.

“Tudo.” - a menina ruiva respondeu.

“Mas tudo é muito, não acha?”

“Sim, mas eu gosto de tudo.”

“Ótimo ouvir isso, vocês chegaram na hora certa!”

“Por que?” - Julia perguntou.

“Porque estamos preparando um banquete e vocês são nossas convidadas.” - ela respondeu. Depois, olhou para Milosh e perguntou educadamente. - “Não vai me apresentar?”

“Sim, elas são Julia e Klara, minhas novas amigas.” - disse, Milosh, indicando-as respectivamente. E revelou. - “Pedro as trouxeram até aqui.”

“Esse é o Pedro?” - ao perguntar para Milosh, ela olhou para o cão pastor.

“Não, o nome dele é Boris.” - Julia a corrigiu. - “Pedro é o nome do nosso muflão.” - apontou para o animal que pastava ao lado de uma das tendas.

“Vocês têm um muflão?”

“Sim.” - respondeu, Klara, dizendo. - “A gente achou ele perto da ponte.”

“Acharam ele?”

“Sim.” - confirmou, Julia. - “Foi ele que trouxe a gente até aqui.”

“Muito prazer, meninas, meu nome é Zita.” - ela, então, foi logo se apresentando. - “Sou a irmã de Milosh.”

No final da tarde daquele dia, os anjos do acampamento prepararam um banquete de boas vindas para as meninas, que, sentadas no chão diante de uma mesa farta, provaram a sopa fria de pepino e iogurte, conhecida como Tarator, e alguns pastéis Baklava, feitos com pasta de nozes trituradas e banhados no mel, além de dançarem e cantarem ao som de músicas folclóricas ciganas.

“Eu queria ficar aqui para sempre.” - desejou, Julia, enormemente alegre.

“Eu também.” - respondeu, Klara, com igual alegria, sentada do lado da amiga.

Antes do banquete acabar, já era tarde da noite. Julia e Klara bocejaram demoradamente, adormecendo ali mesmo, no chão. Nunca se viu tanta festa, alegria e confraternização caberem em tão pouco tempo e em tão pouco espaço.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

8 de fevereiro de 2017

Banquete Cigano: Segunda Parte do Capítulo.

muflão chifrudo, casamento de ciganos, ciganos da Bulgária casando em uma tenda

Klara sorriu timidamente, concordando plenamente com a resposta.

Enfim chegaram no topo da montanha, lugar onde estava instalado um acampamento cigano. Ao contrário do que imaginavam encontrar, não viram mata fechada, se depararam apenas com um ajuntamento de tendas brancas. A claridade do Sol penetrava entre os galhos das árvores, que ficavam ao redor do acampamento, iluminando as tendas.

“Quem estão procurando, meninas?” - perguntou, um dos anjos, ao sair de sua tenda e ver as duas meninas montadas no muflão, observando, impressionadas, o acampamento.

“A gente não está procurando ninguém.” - respondeu, Julia, impressionada com a aproximação do anjo. Disse. - “Foi Pedro que trouxe a gente até aqui.”

Desconfiado, Boris chegou perto do anjo cigano e começou a farejar seus pés descalços.

“Pedro?” - perguntou, o anjo, que não enxergava nenhuma outra pessoa por perto além das meninas. - “Quem é Pedro?” - emendou, antes de ajudá-las a descerem das costas do muflão.

“Pedro é o nome que a gente deu para ele.” - respondeu, Julia, indicando o muflão. A menina ruiva perguntou. - “Onde a gente está?”

“Vocês estão no nosso acampamento.” - o anjo descalço respondeu.

No momento seguinte, em mais uma de suas travessuras, o cão pastor levantou a pata traseira e ameaçou urinar nos pés do anjo.

“Não pense em fazer isso, seu malvado!” - Julia o advertiu.

Boris latiu em protesto, mas a obedeceu, afastando-se do anjo cigano.

“Meu nome é Milosh.” - cerimonioso, o anjo cigano, então, se apresentou às meninas. - Sejam bem-vindas ao nosso acampamento.

“Obrigada.” - agradeceu, Julia.

Ela olhou para o lado e notou que Klara não parava de olhar para as asas brancas do anjo.

“Como se chamam?” - perguntou, Milosh.

“Meu nome é Julia e essa é minha amiga, Klara.” - respondeu, a menina ruiva. - “Ela se perdeu da sua vovó.” - revelou.

Preocupado, o anjo voltou as atenções à pequena.

“Está perdida?”

“Estou.” - respondeu, Klara, dizendo. - “Minha vovó chama Yordanka. Ela perguntou o que eu mais gostava de comer. Eu respondi que era tomate e ela, então, me levou para o tomateiro. Mas, quando percebi, já havia sumido e me deixado sozinha.”

Mesmo que discretamente e sem deixar transparecer, Milosh a olhou com profundo pesar. - “Mais uma pobre menina abandonada à própria sorte.” - pensou.

Preocupando-se em ajudá-la, perguntou:

“E a sua mamãe, onde ela está?”

“Eu não sei.” - respondeu, Klara, que o encarou com tristeza.

Milosh se mostrou cada vez mais disposto em ajudar a menina a reencontrar sua família.

“Não se preocupe, vamos encontrá-la.”

Amoroso, o anjo passou a mão na testa da menina, confortando-a, e, de repente, ouviu-se uma voz amavelmente feminina:

“Suas novas amigas devem estar com muita fome.” - colocando-se ao lado do anjo, ela perguntou. - “Estão com fome, meninas?”


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6 de fevereiro de 2017

Banquete Cigano: Primeira Parte do Capítulo.

amor cigano, casamento cigano clandestino, paixão cigana, ciganos europeus

Seria mais uma das incontáveis montanhas da Bulgária, sem nada em especial, senão fosse por uma particularidade: anjos ciganos viviam por ali, em um acampamento.

A vegetação se estreitava conforme Pedro, o muflão, marchava montanha acima.

“A gente chegou?” - perguntou, Klara, olhando em volta.

“Acho que não.” - Julia respondeu.

Em um certo momento, Julia e Klara, que pareciam estar hipnotizadas pela singularidade da paisagem, se intrigaram ao ver Boris parar e, mais uma vez, começar a latir, eufórico.

“O que foi agora, Boris?” - quis saber, Julia, que, irritada, repreendeu o cão. - “Comporte-se, seu malvado!”

Klara olhou na direção que ele latia e viu um anjo pousar entre as árvores, onde as vigiou do meio da mata.

“Um anjo!” - a pequena exclamou.

“Onde ele está?” - perguntou, Julia, que não conseguia vê-lo.

“Ali, perto da árvore.” - respondeu, Klara, apontando-o mais à frente.

Julia ficou eufórica ao ver o anjo olhando diretamente para ela e disse, excitada:

“Então, anjo existe!”

A menina de Gabrovo, por sua vez, não conseguiu esconder sua surpresa com a reação da amiga.

“É a primeira vez que você vê um anjo?” - perguntou, Klara.

Até mesmo ela já havia visto anjo. - “Sabia que eu já vi um anjo.” - revelou à amiga.

“Eu também já vi um anjo.” - respondeu, Julia, contando sobre a visão. - “Mas faz muito tempo e eu quase não me lembro como foi. Eu estava no meu quarto, brincando com as minhas bonecas, quando ouvi um homem me chamar na janela.”

Nesse momento, enquanto Julia contava sobre a visão, o anjo que vigiava as meninas escancarou suas asas e levantou voo.

“O que ele queria?” - a pequena perguntou, curiosa.

“Quando eu corri para a janela, para ver quem me chamava, foi o momento que eu vi que não era um homem.” - contou, Julia, lembrando-se de cada detalhe. - “Era um anjo. Ele era alto, tinha cabelos escuros e queria me dizer alguma coisa, mas não deu tempo. Depois que eu vi ele na janela, a minha cabeça começou a doer muito forte e eu não me lembro de mais nada.”

“Por que?” - Klara se mostrou intrigada. - “O que aconteceu?”

“Eu não sei. Não consigo me lembrar o que houve.” - a voz de Julia soava com certa agonia. - “Só me lembro que senti muita dor na cabeça.”

“Dor na cabeça?” - ao ouvir a amiga, Klara se segurou firme em Pedro para não cair de cima dele. - “Você estava doente?” - perguntou.

“Eu não sei.” - Julia respondeu. - “Eu só me lembro disso.”

Mesmo ansiosa para saber mais sobre a visão, Klara ficou receosa em relação aonde o muflão as levava e mudou de assunto, ao perguntar:

“Aonde o Pedro está levando a gente?”

“Não sei.” - a menina ruiva respondeu. - “Você está com medo?” - perguntou.

“Um pouco.” - confessou, Klara.

“Não precisa ter medo.” - Julia a tranquilizou, referindo-se aos anjos. - “Eles não podem ser malvados.”

“Por que?” - quis saber, Klara.

“Porque eles são anjos e não existe anjo malvado.” - respondeu, Julia.


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