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Terra Iluminada
(A explosão da Supernova)
Trinta e cinco mil vezes maior do que o Sol, uma estrela de nêutrons, ao sobreviver a fusão de dois gigantescos buracos negros, depois de um longo tempo se expandindo e engolfando dezenas de outras estrelas, colapsou e explodiu. Sua explosão gerou uma Supernova, um cataclismo luminoso cujo poder condenaria tudo à destruição em seu caminho.
Em uma constelação relativamente próxima dos domínios da Terra, no centro da Via Láctea, a explosão se dera em uma zona hostil da galáxia, rodeada por forças cósmicas devastadoras, embora nada que se comparasse a destruição gerada pela Supernova. E foi engolfando tudo, e destruindo tudo que encontrou. Em dois dias, chegaria à Terra.
Antes da explosão, enquanto se expandia, quem olhasse da Terra para o céu negro, veria que a estrela de nêutrons não passava de um pontinho pulsante no meio de inúmeros outros, no entanto, conforme o pontinho passou a se destacar das demais estrelas, chegou a ser quase cem vezes maior e mais brilhante, e chamou a atenção dos astrônomos e cientistas. Governos ao redor do mundo organizaram às pressas seminários, debates e discussões a fim de que se revelasse o mistério do pontinho pulsante que não parava de aumentar, até que se deu a explosão, surpreendendo a todos, e uma circunferência luminosa apareceu no céu. - “Testemunhamos o nascimento de uma Supernova muito próxima da Terra.” - chegaram a conclusão acertadamente. Com a conclusão, também foi dada a sentença. - “É o nosso fim, o fim da Terra, o Juízo Final. Vamos todos morrer.”
Ninguém queria acreditar em tal catástrofe. A negação foi generalizada. - “Mentirosos! Sensacionalistas!” - a humanidade reagiu. Governos decretaram estados de exceção, punindo quem promovesse ou incitasse a desordem pública. Quem se somasse ao alerta dos astrônomos, seria condenado sumariamente à morte e executado na mesma hora, e em países pouco menos alarmados os condenados seriam jogados na prisão, o que também passava longe de ser bom. Porém, a negação não passou de um dia, de exatas vinte e quatro horas desde a explosão. A circunferência luminosa crescera de repente e logo tomou o céu, deixando-o luminescente, mais claro do que a nuvem mais branca que já existiu. Já não se podia esconder dos povos o que estava por vir.
Passado a negação, uma Ordem Global foi imediatamente imposta dividindo a humanidade em duas classes: a dos importantes, a dos considerados os bons e que, portanto, seriam os merecidos de serem salvos e a dos miseráveis, aqueles que sequer teriam a chance de se salvarem; esse segundo grupo, a maioria. Teorias e explicações salvacionistas tomaram conta do mundo.
Era assim porque devia ser e pronto! Os presidentes, monarcas, intelectuais e magnatas foram levados para abrigos antinucleares, imaginando estarem a salvos. Perceberiam que ninguém estava. Horas antes do Fim, as geleiras dos polos derreteram em minutos, submergindo ilhas e litorais.
O cataclismo luminoso avançava ferozmente enquanto isso, engolfando toda Via Láctea. O Fim chegou então nos domínios do Sol e, em pouco menos de um minuto, tudo foi destruído. No momento que engolfou a Terra, pai, mãe e dois filhos de uma família norte-americana estavam em volta de uma mesa como se jantassem normalmente. Um grupo de mendigos de uma rua de São Paulo teve uma morte não menos poética: ao relento e iluminados. As tribos indígenas da Amazônia se irmanaram no exato instante do extermínio. Na Rússia, um jovem soldado escolheu morrer abraçado com sua bela esposa, uma famosa bailarina de uma companhia não menos reconhecida. Ambos liam Guerra e Paz, de Tolstói. Exércitos de homens e mulheres de boa vontade foram extintos assim como suas honras. Os mais ferozes dos animais, as florestas, as montanhas, os micróbios, as cobras peçonhentas e vales inteiros: tudo foi pulverizado pela Luz. As águas dos oceanos, dos rios, dos lagos e dos aquíferos no seio da Terra evaporaram na décima parte de uma fração de segundo. Os órfãos do mundo morreram perdoando-lhes as mães por tê-los abandonados. As mães do mundo fazendo carinho em seus filhos, os pais as acompanhando. A própria crença em Deus parou de existir. O Papa Francisco III encontrou seu fim na Capela Sistina, orando em uma improvisada Última Santíssima Missa na companhia de fiéis. Celebridades, criminosos, hippies, crianças, idosos, heróis, vagabundos e africanos, todos pulverizados pela radiação gama.
No que cumpriu sua sina com a Terra, a Destruição seguiu por mais sete galáxias, alimentando-se de mais estrelas, quando só parou de engolfar o que encontrou ao ser parado por mistérios ainda maiores, por forças cósmicas impossíveis de serem sequer imaginadas.
Novos planetas e sóis surgiram quase que imediatamente depois.
FIM

Impressionante! :o
ResponderExcluirQue legal esse trecho e imagino que o fim dos será mais ou menos assim.
ResponderExcluirGostei parece ser bem interessante, adoro descobrir novos contos bacanas.
ResponderExcluirTexto muito bom, faz a gente viajar, tipo um filme, poderia ser assim o fim...
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